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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra

O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não: "Com o suor dos outros ganharás o pão."
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.



Sophia de Mello Breyner Andresen


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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

António Aleixo - O Filósofo do Povo

Há tantos burros mandando em homens de inteligência,

que ás vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência.

António Aleixo

sábado, 13 de novembro de 2010

ADEUS!!!

Não me conhecias, mas sempre que passei por ti me disseste adeus. Agora a todos nós anónimos nos falta a quem dizer adeus ao passar por aqui...Bem hajas por nos teres feito sorrir e continua a acenar onde quer que estejas.

Podiamos fazer-lhe aqui uma estátua! Aqui está uma ideia para o próximo orçamento participativo da C.M.Lisboa.

Foto tirada esta noite no Saldanha, onde seria suposto encontrar o Sr. João Serra a dizer-nos Adeus...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Rei Lagarto

L.A. Woman, 1971

PEOPLE ARE STRANGE

People are strange when you're a stranger, / faces look ugly when you're alone. / Women seem wicked when you're unwanted, / streets are uneven when you're down. / When you're strange, faces come out of the rain, / when you're strange, no one remembers you're name, / when you're strange, when you're strange/ when you're strange. 

Jim Morrisson, Strange Days, 1968

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

                                         Paris, 1916

Mário Sá-Carneiro, Mistério


Devia-se guardar este poema para o final do blog... ou talvez não, pode não acabar tão depressa.

Maninha: Obrigado por teres deixado este livro esquecido em cima da mesa.